Consciência Humana e Inteligência Artificial – Um ponto em comum
Eu teria postado isto apenas como comentário, mas ficou maior do que creio ser apropriado para um comentário.
Olha, acho que somos máquinas, de qualquer forma, mas máquinas que interpretam informação.
Você citou uma confusão dos materialistas que nos confundem e a nossa consciência com computadores que computam informação de forma misteriosa.
Agora eu gostaria de citar o meu ponto de vista sobre isso. Gostaria de citar uma confusão que acredito ser feita não com relação aos computadores, mas com relação à Inteligências Artificiais, que incluem todas as máquinas digitais, incluindo os computadores. Não sei se você está ciente, mas existem dois tipos de IA: Fraca e Forte. Ambas trabalham usando processamento simbólico, mas existe uma diferença na natureza da atribuição de significado ao símbolo em cada uma.
Na IA Fraca, mediante algum método de entrada de dados, é introduzido um símbolo, seja ele visual, auditivo ou de outro tipo qualquer. Com base na comparação no banco de dados de símbolos, ela encontra um que chegue o mais próximo possível do símbolo apresentado. Quanto mais símbolos forem apresentados, maior será o banco de dados e melhores serão as respostas dadas pela IA.
Na IA Forte acontece a mesma coisa, e a diferença está no fato de que na Forte o simbolo tem de fato um significado para a IA, enquanto que não fraca, o processo se resume à comparação entre o símbolo e os símbolos existentes no banco de dados. Ainda não existe nenhuma IA Forte, e ainda devemos estar longe de ter uma.
Aí está a diferença, pois enquanto em uma, o processamento simbólico se resume a comparação mecânica ou quase mecânica, na outra o símbolo realmente tem um significado para a IA. Esta é a diferença, ou como chamamos por aqui, “o pulo do gato”.
Pelo meu ver, a natureza da atribuição de significado a um símbolo, que é a base do processamento de informações em uma IA Forte, também é a base do processamento de informações na consciência humana. O que eu quero mostrar é que o processamento de informações em uma IA Forte e na Consciência Humana segue o mesmo esquema básico, que é atribuição de significado a um símbolo.
Então não existiria nenhuma diferença fundamental entre uma IA Forte e a Consciência Humana. A diferença entre ambas é que uma é uma máquina eletrônica e a outra uma máquina eletroquímica.
Para mim, o objetivo é saber como se passa de uma coleção de circuitos eletrônicos ou moléculas orgânicas a um andróide consciente ou um ser humano. Chamaria a isto de auto-consciência, espírito ou alguma outra palavra adequada.
Observo que não estudei profundamente nenhum livro sobre IA ou Consciência Humana, mas já li textos de livros sobre o assunto, conheço por cima os principais paradigmas de IA e sei que a IA Forte é o “graal” do ramo da Inteligência Artificial. Tudo isso que coloquei acima são idéias que resultaram de momentos especulando sobre os temas (IA e Consciência).
Publicado em novembro 21, 2011, em Astrologia, Consciência e marcado como andróides, computadores, consciência, ia forte, ia fraca, inteligência artificial, símbolos, significado, simbologia. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.
“Na IA Forte acontece a mesma coisa, e a diferença está no fato de que na Forte o simbolo tem de fato um significado para a IA, enquanto que não fraca, o processo se resume à comparação entre o símbolo e os símbolos existentes no banco de dados. Ainda não existe nenhuma IA Forte, e ainda devemos estar longe de ter uma.”
Pois é, se ou quando chegarmos a uma IA Forte, então poderemos fazer maiores comparações entre a IA e a consciência humana. E daí quem sabe poderemos resolver finalmente a questão do Dualismo vs. Monismo e do Problema Difícil da Consciência (que seriam os qualia a as experiências subjetivas, que seria a “vermelhidão” do vermelho). Em suma, se uma máquina um dia criar uma poesia original, baseada em experiências de sua interpretação dos símbolos, pode ser que a consciência surja automaticamente (embora não saibamos exatamente como, ainda assim) da interação de bilhões de “interpretadores atuando em conjunto”, e que a mente não seja, afinal, um piano tocado por uma entidade oculta, mas um piano que de maneira bizarra (mas a Física Quântica também é bastante bizarra, e está comprovada), toca a si próprio.
Essa é uma questão importantíssima para qualquer área do pensamento humano, por isso gera tantos debates acalorados.
Abs
raph
Um exemplo interessante de IA Forte pode ser visto em Star Trek – A Nova Geração.
O andróide Data é um exemplo deste tipo de IA, e está constantemente tentando tornar-se mais humano, muito embora ele esteja consciente de que nunca poderá tornar-se humano, mas ele se esforça para entender os humanos, suas emoções, motivações e linguagem.
Penso que um dia, ainda muito longe, séculos, diria eu, seres como Data serão comuns.